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Cientistas indicam que profissionais de logística foram fator-chave para interiorização do Sars-CoV-2

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Shepherd Distribution Services @ Flickr
No primeiro semestre de 2020, enquanto a pandemia de Covid-19 atingia principalmente as grandes cidades brasileiras, pesquisadores da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) buscaram compreender quais fatores possibilitariam a interiorização do vírus e o subsequente início da transmissão viral em cidades pequenas.
 
Entre os resultados da pesquisa, publicados na revista internacional JMIR Public Health and Surveillance, notou-se que as cidades com maior proporção de trabalhadores de logística possuíam maior porcentagem de infectados pelo Sars-CoV-2. O estudo relata ainda que trabalhadores de logística foram a categoria ocupacional com maior risco de infecção pelo Sars-CoV-2 — 18 vezes maior que os demais trabalhadores.
 
Além disso, em 70% das casas avaliadas, o paciente índice, isto é, o primeiro infectado da casa, era um trabalhador de logística. No artigo intitulado "Trabalhadores de logística são um fator-chave para a propagação do Sars-CoV-2 em pequenas cidades brasileiras: um estudo de caso-controle", em tradução livre, os pesquisadores também notam que a cadeia de transmissão nas cidades observadas geralmente se iniciou em casas onde residem trabalhadores de logística.
 
Na pesquisa foram realizados diferentes estudos em duas cidades do interior de Minas Gerais: Nepomuceno e Carmópolis de Minas, ambas com população inferior a 30 mil habitantes. No total, foram avaliados mais de mil pacientes.
 
A validade dos achados é corroborada por pesquisa recente do Ministério da Economia. Dados de trabalhadores formais do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apontam que as duas ocupações no Brasil que mais sofreram com os desligamentos por morte foram a dos motoristas de caminhão e a dos motoristas de ônibus. Segundo o comparativo, que teve como base o primeiro bimestre de 2019, as mortes em decorrência do trabalho nessas duas classes aumentaram 223% em 2020, ainda no início da pandemia, e 407% em 2021, durante a segunda onda do novo coronavírus.
 
De acordo com os pesquisadores Wendel Coura-Vital, coordenador do projeto, Breno Bernardes e Alexandre Barbosa Reis, o estudo é uma importante contribuição para a literatura do campo, pois basicamente não existem outros que mostrem a importância dos trabalhadores de logística locais para a dispersão de vírus como o Sars-CoV-2. No entanto, eles ponderam que já existem diversos estudos importantes que apontam como portos e aeroportos funcionam como a "porta de entrada" para novos vírus em países estrangeiros.
 
Eles alertam ainda para a necessidade de incluir trabalhadores de logística, especialmente caminhoneiros, no planejamento de políticas públicas para desacelerar a interiorização de novas variantes, como a Delta. Para Alexandre, "cidades pequenas devem investir na testagem frequente de caminhoneiros, assim como priorizar estes profissionais em caso de uma eventual terceira dose da vacina contra a Covid-19, pois eles são um fator-chave para a interiorização do vírus e suas variantes".
 
Leia a íntegra do relatório da pesquisa, em inglês. 

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