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Mulheres negras trabalhadoras são tema de pesquisa de estudante da Administração

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A pesquisa intitulada "A trabalhadora negra em debate: imbricações biográficas na produção acadêmica de administração" traz reflexões que vão além da questão racial, trabalha também a questão de gênero, que muitas vezes não é levada em consideração em diversas pesquisas. O tema é abordado no Trabalho de Conclusão de Curso da estudante do curso de Administração Amanda Arlinda da Silva, que busca explorar histórias de vida de pesquisadoras e pesquisadores que trabalham o tema da mulher negra trabalhadora na área de administração.
 
Amanda, que teve como inspiração sua mãe e irmã, mulheres negras e trabalhadoras, embora tivesse vivência nesse tema, não encontrou dentro da universidade discussões que se aproximassem da realidade dela e de outras mulheres negras. Ela conta que "os debates que eu encontrei durante esse período eram muito a partir de um contexto de diversidade, mas sem ter esse recorte de gênero e de raça. E isso sempre me incomodou, por perceber o quanto os debates sobre a administração e as organizações estavam distantes das situações vivenciadas por mulheres como eu." Apesar de existirem discussões raciais e de haver um movimento crescente de letramento racial, Amanda ainda acha difícil vislumbrar um cenário positivo no futuro, "Visto que, embora nos dias atuais percebamos uma maior busca por letramento racial, tanto quanto uma crescente nos movimentos sociais que lutam por direitos de mulheres e homens negros, o caminho ainda é muito amplo e árduo", avalia.
 
Quando falamos de equidade de gênero no mercado de trabalho, o cenário não é dos melhores e, quando acrescentamos a discussão racial, ele fica ainda pior, aponta Amanda: "Quando a gente amplia esse olhar e passa a avaliar essas intersecções de gênero e raça, a gente percebe o quanto o racismo estrutural e a herança escravocrata brasileira contribuem para que as mulheres negras permaneçam em lugares escravizados". Dentro da academia ainda há majoritariamente homens brancos na pesquisa, principalmente nas áreas como Administração, Economia, Engenharias e afins. As mulheres ainda são mais presentes nos cursos relacionados ao cuidado, como Fisioterapia, Pedagogia e Enfermagem. Por isso Amanda teve dificuldade em encontrar autoras e autores que tivessem produzido material a respeito do tema do seu trabalho.
 
A aluna também ressalta a importância de ter professoras que a apoiaram durante o período da graduação, como sua orientadora Carolina Machado Saraiva e sua coorientadora Ana Flavia Resende. Ela conta que "elas me deram todo o amparo acadêmico necessário para que eu me desenvolvesse durante todo o processo". Sua jornada de pesquisa teve início em 2020, no Projeto de Iniciação Científica "A trabalhadora negra em debate: reflexões acerca do feminismo negro na produção acadêmica de administração". Ao retomar as pesquisas, Amanda conta que "os resultados que encontramos foram estarrecedores, tendo em vista que no período dos sete anos analisados o número de textos produzidos sobre a temática é extremamente baixo, configurando apenas a 4% da produção nacional durante o período. Esse fato demonstrou o quanto a academia tem silenciado tais debates, o que acaba por contribuir para a manutenção da lógica de opressão existente sobre grupos minoritários nesses espaços".
 
Confira a apresentação de Amanda Arlinda da Silva no Encontro de Saberes de 2020:
 

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11 Agosto 2022

Ex-aluna do curso de Jornalismo, no qual se formou em 2015, e mestra em Comunicação também pela UFOP em 2020,...

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