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Professor da UFOP recebe prêmio Impacto Social 2026 por projeto com catadores

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Divulgação
O professor Máximo Martins, da Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), é o vencedor do prêmio Impacto Social 2026, concedido pelo programa Servindo o Brasil, que reconhece iniciativas com contribuição relevante para a sociedade. Máximo, engenheiro ambiental e professor do Departamento de Engenharia de Produção (Depro), desenvolve ações que aproximam a universidade de comunidades locais, com foco no fortalecimento do trabalho de catadores de materiais recicláveis.
 
Para ele, o reconhecimento reforça o papel da universidade pública na transformação social. “Este reconhecimento prova que a UFOP está no caminho certo ao entender que a excelência acadêmica não se faz apenas com grandes orçamentos de pesquisa, mas também com a força da extensão universitária. Isso representa que a educação, quando atua na base da sociedade, é o pilar real da transformação. Estar à frente deste programa há 10 anos, lado a lado com minhas companheiras e companheiros catadores, permite-me afirmar que a UFOP transformadora é aquela que abraça as demandas diretas do povo. Ver o nosso trabalho reconhecido no prêmio Impacto Social 2026 valida que a universidade pública cumpre o seu papel mais nobre quando une o conhecimento técnico à luta por condições dignas de trabalho e salário para quem realiza a reciclagem no Brasil”, afirma Máximo.
 
O trabalho é desenvolvido por meio de iniciativas como o programa de Engenharia para a Sustentabilidade e Empreendedorismo Social e o Fórum Lixo e Cidadania de Ouro Preto. As ações articulam ensino, pesquisa e extensão para apoiar a organização e valorização do trabalho dos catadores.
 
No início do projeto, o grupo identificou um cenário de forte invisibilidade, com associações atuando em condições precárias e sem reconhecimento pelo serviço ambiental prestado. “No início, identificamos um cenário de invisibilidade severa, com associações operando em locais totalmente impróprios e galpões minúsculos. Mas o problema central é que os catadores não recebiam, e muitos ainda não recebem, pelo serviço ambiental prestado. Existe uma ideia equivocada de que doar o material já é o pagamento. A Política Nacional de Resíduos Sólidos é clara e a responsabilidade é compartilhada. O resíduo que geramos é nossa responsabilidade e o catador precisa de salário digno, direitos mínimos e segurança. Hoje, por meio do nosso programa, os catadores ocupam a UFOP, participam da formação dos nossos alunos e ensinam que não existe gestão de resíduos sem o catador, que é responsável por 80 % da reciclagem no país. O programa também foi o berço do Fórum Lixo e Cidadania em Ouro Preto, um instrumento crucial de luta para que grandes empresas e o poder público parem de tratar o serviço do catador como caridade e passem a tratá-lo como a profissão essencial que é”, destaca.
 
Conferência - A premiação foi concedida durante a Brazil Conference, realizada na Universidade Harvard, evento que reúne lideranças brasileiras para discutir soluções para desafios do país. O programa Servindo o Brasil reconhece iniciativas que promovem impacto social e contribuem para o desenvolvimento.
 
Com a visibilidade internacional, o professor aponta que o próximo passo é ampliar o alcance do projeto. “A nossa meta agora é aproveitar a visibilidade internacional na Brazil Conference, em Harvard, para lançar luz sobre a urgência do reconhecimento profissional da categoria. Queremos atrair novos parceiros e colaboradores que entendam que a reciclagem protagonizada pelos catadores deve ser o centro da gestão de resíduos nas cidades. O próximo passo é lutar para que os recursos que hoje são enterrados em aterros e lixeiras sejam redirecionados para o investimento na sustentabilidade humana e na dignidade do trabalho do catador. Queremos que o modelo de Ouro Preto inspire outras cidades a valorizarem o trabalhador da reciclagem como peça-chave da economia circular”, afirma Máximo.

 

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