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Abertura do Simpósio Nacional de Jornalismo em Quadrinhos debate o poder dos quadrinhos na construção da memória e do afeto

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Pedro Vitor Silva
Imagem mostra o professo e jornalista, João Marcos em pé com microfone na mão, estudantes sentados e de consta e ao fundo banner do grupo quintais durante o primeiro simpósio nacional de jornalismo de quadrinhos, na UFOP, em Mariana.
A mesa de abertura do I Simpósio Nacional de Jornalismo em Quadrinhos: Lugar desenhado e memória foi marcada pela potencialidade que a reportagem visual em quadrinhos proporciona ao narrar fatos complexos. O Auditório do Instituto de Ciências Sociais e Aplicadas (Icsa) foi ocupado por estudantes da graduação, pós-graduação, docentes, pesquisadores e pela comunidade local.
 
O professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Henrique Leroy conduziu a mesa “O Universo dos Quadrinhos: as possibilidades de registro de memória e afetos em cada obra”, com a participação da ex-aluna do curso de Jornalismo da UFOP e criadora do site Fora do Plástico, Mariana Viana, e do quadrinista e jornalista João Marcos Mendonça, da Maurício de Sousa Produções. O jornalista Augusto Paim, o quadrinista Pablito Aguiar e a publicitária e quadrinista Hyna Crimson também participaram da mesa.
 

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Pedro Vitor Silva
Da esquerda para direta: Pablito, João Marcos, Henrique Leroy, Mariana Viana, Hyna e Augusto Paim durante mesa de abertura do simpósio.
Os profissionais contaram sobre a vivência com o jornalismo em quadrinhos
 
O autor de Doce Amargo, o quadrinista João Marcos, contou que o processo de produção foi realizado de forma autobiográfica. Na época do desastre-crime do Rompimento da Barragem de Fundão, em 2015, o autor vivia em Governador Valadares, uma das cidades atingidas pela lama de rejeito. João fazia um diário sobre as notícias e os acontecimentos vivenciados e buscou se aprofundar sobre o tema. O livro, publicado em 2025, foi uma decisão pessoal difícil, mas o autor se sentiu bem com o trabalho final. “Fiquei um pouco orgulhoso da minha decisão, porque tirei um peso em escrever um livro sobre uma injustiça, um descaso, uma tragédia que poderia ser evitada", afirmou.
 
Assim, o debate destacou a potencialidade da reportagem em quadrinhos para abordar temas sensíveis, como violação dos direitos humanos, feminicídios e catástrofes ambientais. Como foi narrado pelo repórter e quadrinista Pablito Aguiar, que contou no livro “Água Até Aqui” sobre as enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024.
 
O autor destacou que os quadrinhos criam uma relação afetiva com o público e que sua história é contada através da sua afetação. “Eu não consigo desenhar algo pelo qual eu não sou afetado. Por isso, para mim, é muito importante ir nos lugares para desenhar”. Hoje, Pablito conta histórias da Amazônia junto à Sumaúma, jornalismo feito pela jornalista Eliane Brum.
 

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Pedro Vitor Silva
Homem de costas com casaco na cor azul obeserva quadrinhos em um barbante
Exposição de histórias em quadrinhos produzida pelos estudantes da UFOP
 
Para Mariana Viana, os quadrinhos têm um poder narrativo por resgatar histórias passadas, mas que são refletidas no presente. Nesse sentido, a jornalista destacou a obra franco-brasileira de Matthias Lehmann, em “Chumbo”, e a obra clássica "Persépolis", sobre a Revolução Islâmica do Irã, em 1979.
 
Mariana comentou que todas as histórias podem tornar os quadrinhos poderosos, principalmente em diálogo com o território. “Estamos em uma cidade tricentenária, a primeira capital de Minas, com pessoas de regiões diferentes, então temos muitas histórias possíveis”, ressaltou. Ela destacou também a importância da universidade. “A universidade pública é o espaço para que essas conversas aconteçam. Então, é importante que a comunidade esteja presente, assim como os alunos da graduação e da pós-graduação”.
 
Pedro Vinicius de Castro, morador de Mariana, revelou que o evento foi muito interessante e que já leu a obra "Maus: a história de um sobrevivente e Persépolis". “Gosto de quadrinhos com essas histórias e do traço do desenho”, conta. O interesse pelos quadrinhos surgiu na escola, com Ziraldo e Maurício de Souza. Já o professor Henrique Leroy, disse que as pesquisas desenvolvidas consideram os quadrinhos como agência de letramento não apenas literário, mas também como ferramenta para o ensino da língua portuguesa.
 
No encerramento, a organização lembrou das oficinas que serão ministradas pela quadrinista Hyna Crimson. Ela enfatizou que as oficinas do evento são para todos os interessados. “A oficina é igual para todos, mas cada resultado é único”. Hyna é autora de “Temporal”, obra sobre depressão na adolescência desenvolvida a partir do seu trabalho de conclusão de curso.
 

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