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Comissão discute alternativas para atividades acadêmicas

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Impactos da crise política nas ações de combate à Covid-19; processos de educação remota e a distância; implantação de protocolo sanitário na UFOP quando da retomada das atividades presenciais na Universidade, ainda sem prazo definido — estes foram os principais temas tratados na reunião de ontem (19/05) da Comissão de Monitoramento Administrativo e Acadêmico. Por meio de webconferência, estiveram presentes representantes da Administração Central, do Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos da UFOP (Assufop), da Associação dos Docentes da UFOP (Adufop), do Diretório Central dos Estudantes (DCE) e do Comitê de Enfrentamento ao Coronavírus.

Os impactos da crise política nas ações de combate à Covid-19 têm dificultado a tomada de decisões em várias instâncias da sociedade, inclusive na Educação, avaliaram os participantes do encontro. Diante do quadro, a reitora Cláudia Marliére disse temer que decisões políticas equivocadas incentivem uma retomada das atividades de maneira desordenada. Ela explica que o retorno não é simples e, citando como exemplo a própria Universidade, questiona como, em plena pandemia, poderia "se colocar 40 alunos em uma mesma sala de aula", lembrando que recentemente a França voltou a fechar escolas. Marliére disse temer que "ocorra no país uma volta caótica".

O presidente da Adufop, André Mayer, também manifestou apreensão com o momento político que, segundo ele, reflete uma crise "gerada pelo capital", acrescentando que a preocupação dos professores está expressa em nota divulgada pelo Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes). Para ele, o momento é preocupante pois, a reboque da crise, continuam as campanhas de desvalorização das universidades e de "demonização dos servidores públicos". 

ATIVIDADES – O ambiente de incertezas está levando a Administração Central a buscar, em diálogo com os demais setores da Universidade, possibilidades de retomada das atividades acadêmicas que minimizem os problemas provocados pela suspensão do calendário. A linha central desse esforço passa por um amplo diagnóstico da real situação dos alunos diante de possíveis limitações de acesso à internet em suas moradias de origem, assim como de equipamentos, considerando, sobretudo, as populações de baixa renda, que ocupam hoje 50% das vagas na universidade.

Outro ponto fundamental que sustenta os estudos em curso pela Pró-Reitoria de Graduação (Prograd) é a busca por diminuir ao máximo o fluxo de pessoas diante de uma retomada presencial, considerando que, sem a disponibilidade de uma vacina, dificilmente a Universidade vai poder planejar uma sala de aula com a média de alunos que mantém atualmente. Segundo a pró-reitora de Graduação, Tânia Garbin, uma das propostas — ainda em estudo, para posterior apreciação da comunidade — é o oferecimento do que chama de Período Letivo Especial, a exemplo dos cursos de verão.

De acordo com Garbin, as disciplinas seriam ofertadas remotamente, com indicação do próprio departamento, a partir de uma associação entre professores, não se tratando, portanto, "de um projeto pedagógico de EaD". "No máximo, cada aluno poderia fazer duas disciplinas", concentradas no período de um mês, sugere a pró-reitora, acrescentando que, se houver consenso em torno da proposta, isso, além diminuir o fluxo de pessoas quando da retomada presencial, ajudaria aqueles que dependem de poucas matérias para a conclusão de seus cursos. Por outro lado, ela alerta que nem todos componentes curriculares se encaixam nesta modalidade, acrescentando também sobre a necessidade de se preparar professores e técnicos para que este caminho seja viável.

A representante do DCE, Vitória Pinheiro de Almeida, pontuou que, em princípio, sua entidade não se mostra favorável à realização de atividades remotas, conforme foi discutido em recente encontro da categoria. Vê, porém, que, se a situação atual perdurar, será "preciso encontrarmos uma saída". Ela propõe, no caso, que o diagnóstico realizado pela Prograd busque atingir 100% das pessoas envolvidas, como forma de se conhecer a realidade dos alunos. Para tanto, além dos questionários a serem enviados por e-mail, propõe que os departamentos de ensino participem da ação entrando em contato diretamente, por telefone, com os discentes que não responderem à pesquisa. Segundo ela, isso se faz necessário, considerando que muitos locais onde moram alguns alunos não têm sequer rede de internet.

O representante da Adufop, André Mayer, explicou que, enquanto categoria, a entidade "vê como essencial o ensino presencial nas universidades", como forma, inclusive, de fortalecê-las. Ele se mostrou preocupado com a possibilidade da EaD não apenas por questões estruturais, mas pela possibilidade de quebra da qualidade do ensino. Entretanto, "considerando que o vírus vai circular um pouco mais", ele entende que é preciso pensar em alternativas. Nesta direção, disse que vai ampliar o debate com a categoria na busca de propostas.

O presidente da Assufop, Sérgio Neves, informou que este debate será feito também com os técnico-administrativos, para se ter posição mais concreta a ser debatida na comissão. Segundo ele, porém, as experiências do Cead devem ser levadas em consideração, face à boa qualidade verificada em seus cursos. Sobre esta questão, a pró-reitora Tânia Garbin lembrou que os cursos do Cead também estão prejudicados com a crise gerada pelo novo coronavírus, uma vez que estes não são totalmente a distância. Ela lembrou que os encontros presenciais, trabalhos de campo e estágios estão suspensos, assim como o acesso aos polos pelas comunidades que não tem internet nem equipamentos.

PROTOCOLO SANITÁRIO – Ainda sem uma definição de data, a perspectiva da retomada presencial com a permanência da pandemia foi outro ponto de preocupação manifestado pelos membros da comissão. Vitória Pinheiro (DCE) disse que, embora as atividades presenciais com menos alunos possam ocorrer, algumas ações precisam ser pensadas para se evitar aglomerações e garantir a higienização adequada para o público presente. Ela citou como exemplo as bibliotecas e os restaurantes universitários, que precisariam passar por adequações.

O representante do Comitê de Enfrentamento ao Coronavírus, o jornalista Rondon Marques Rosa, informou que já está sendo realizado um trabalho neste sentido. Ele explicou que as ações seguem em duas frentes, sendo a primeira relativa ao levantamento das melhorias que precisam ser realizadas na infraestrutura, em locais como banheiros, restaurantes e demais ambientes por onde possam circular um maior número de pessoas. A segunda linha, analisada em conjunto com a Pró-Reitoria de Planejamento e Desenvolvimento, diz respeito às condutas sanitárias a serem adotadas de agora em diante. Isso envolve, sobretudo, setores como transporte, recepção e segurança, adianta o jornalista.

Participaram também da reunião o vice-reitor, Hermínio Nalini, o chefe de gabinete, Élido Bonomo, o pró-reitor Adjunto de Graduação, Adilson Pereira dos Santos, e os pró-reitores de Planejamento e Desenvolvimento, Eleonardo Lucas Pereira e Máximo Eleotério Martins (adjunto).

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