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Mesa-redonda após mostra do Cinemas em Rede discute acesso às artes e temas sociais

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Luzes baixas, pipoca na mão - é hora do play. Deixando de lado o cinema hollywoodiano, o projeto Cinemas em Redes apresentou ontem (09/06) a noite o filme “Invasores”, para reflexão e debate sobre a desigualdade social. Obra de Marcelo Toledo com Emanuela Fontes, Maxwell Nascimento e Rita Batata, o filme explorou uma realidade bem atual.

O filme conta a história de Claudia, uma garota de família pobre que tem o sonho de ingressar na faculdade de música da USP. Sem conhecer alguém que tenha um piano em casa, passa a invadir lugares com a ajuda do namorado para treinar. Com uma fotografia que dá poesia às cenas e que traz ao telespectador o tom de uma realidade social sem final feliz, o filme é um drama cotidiano, mas que reflete muito bem exemplos de várias pessoas.
 
 
DEBATE - Para discutir sobre os aspectos sociais e estéticos da obra, após a mostra, o dramaturgo e filósofo Márcio Oliveira, e o videomaker/cineasta e editor da TV UFOP Gabriel Caram - mediados pelo jornalista Chico Daher e coordenador local do projeto - comentaram com o público sobre suas percepções. Oliveira destacou a contradição da arte na sociedade, falando sobre sua importância, assim como a dificuldade de acesso para os menos favorecidos. “É um paradoxo complexo, porque a sociedade demanda arte, precisa dela, mas existe entraves sociais para termos acesso à isso”, aponta. Caram, por sua vez, ressaltou que o filme trouxe uma narrativa real e bem atual, pois "toca o quesito da herança social; você nasceu desse jeito e está fadado a ser assim. Retrata estigmas que não deixam de existir”.

Dentre muitos assuntos discutidos ao redor do tema, surgiu o questionamento se as provas de habilidades específicas para aptidão nas universidades públicas eram justas. Alguns achavam certo, mas, para os debatedores, não tem como uma universidade pública exigir aptidão em algo que ela não ensinou no ensino básico. “Querer que eles tenham bagagem, sendo que tem gente que não tem acesso, não é justo. O problema está lá trás”, critica o cineasta. 

A sessão é fruto do projeto que interconecta diversos cinemas universitários pelo país por meio da rede acadêmica, desenvolvido pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) em parceria com os ministérios da Cultura (MinC) e Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Sua inserção na universidade traz a oportunidade de relacionar o cinema ao aprendizado e criar mesas de discussões sobre como esses filmes podem provocar reflexões sobre a sociedade.

 

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