Criado por Administrator em qui, 29/10/2015 - 17:19
Gabriel Campbell
A professora do Departamento de Biologia (Debio) da UFOP, Eneida Maria Eskinazi-Sant'Anna, juntamente com os alunos do programa de Mestrado Lorena Dias, Francisco Wagner Moreira e Emerson Silva Dias publicam a pesquisa "Os olhos das montanhas: a importância de poças e lagoas para a biodiversidade aquática em Minas Gerais".
O trabalho de pesquisa, que durou dois anos com o apoio da FAPEMIG (CRA-APQ-01767-11), foi realizado em dois campos de altitude em Minas Gerais: Serra do Gandarela e Parque Estadual do Itacolomi. Dentre os aspectos analisados estão as características das águas, a biodiversidade, os invertebrados e o processo de decomposição presentes nas poças e lagoas. "Primeiramente, estudamos as características da água, se é uma água que tem muito alimento ou pouco alimento. Se é uma água turva ou transparente. Se é ácida ou básica. Aí podemos estudar as plantas aquáticas, por meio do levantamento da biodiversidade. Estudamos também os invertebrados pertencentes àquele habitat, que é o meu foco," exemplifica a professora Eneida Maria.
Por meio do processo de esvaziamento de rios, lagos e reservatórios, especialmente pelo uso inadequado e alterações climáticas, poças e lagoas passam anualmente por um período de seca, que elimina toda a água. Foi observado o alto poder de resiliência desses ambientes, ou seja, sua capacidade de retomarem à forma original. O objetivo do trabalho é entender como os organismos podem se adaptar as condições extremas, uma vez que esses habitats temporários são laboratórios naturais ideais para estudos dessa natureza.
Depois de analisar esses ecossistemas, eles são catalogados para que se faça um levantamento de todas as características presentes nesses ambientes aquáticos com o intuito de posteriormente fazer experimentos e alguns testes. "Como esses solos possuem muito minério de ferro, já foi observado que muitas plantas terrestres conseguem metabolizar esse tipo de material. Presumimos que algumas plantas aquáticas também podem fazer o mesmo naturalmente, assim, selecionamos espécies para tratar desses ambientes que contém metais pesados", ressalta a professora.
Conclusão:
Os estudos têm confirmado que esses ambientes úmidos são muito importantes para a biodiversidade aquática regional. Já foram identificadas mais de 55 espécies de plantas aquáticas, 28 tipos de macroinvertebrados, além de 120 espécies de organismos do zooplâncton (entre microcrustáceos, protozoários e rotíferos), e realizou-se o segundo registro no Brasil, e o primeiro em Minas Gerais, de um microcrustáceo identificado em 2010, considerado, até o momento, endêmico de áreas úmidas do Cerrado. A identificação do cladócero Celsinotum, na Lagoa dos Coutos (Serra do Gandarela), é um forte indício de que novas espécies podem ainda ser descobertas nesses habitats tão especiais. Recentemente, houve a confirmação por um especialista, da ocorrência de uma nova espécie de microcrustáceo (um copépodo), coletado em uma área úmida do Parque do Itacolomi (na Lagoa Seca). "Esperamos que nossos estudos na UFOP possam contribuir para divulgarmos o real valor ecológico das nossas poças e lagoas, contribuindo para sua plena conservação", acreditam os participantes do projeto.
Para mais detalhes sobre a pesquisa, acesse o site do projeto.



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