A pesquisa "Educação Ambiental e Gestão do Saneamento: Uma Análise Crítica da Mudança de Conduta Frente à Racionalidade Neoliberal", desenvolvida pelas estudantes Thalia Aparecida de Carvalho e Luara Aparecida de Jesus Souza, do curso de Engenharia Ambiental da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), recebeu Menção Honrosa de Melhor Trabalho Científico durante o IX Congresso Baiano de Engenharia Sanitária e Ambiental (COBESA). Orientado pelo professor Máximo Eleotério Martins, o estudo também vai compor as publicações da Revista Eletrônica de Gestão e Tecnologias Ambientais (GESTA).
A pesquisa analisa criticamente como a educação ambiental tem sido desenvolvida em ações relacionadas ao saneamento e à gestão de resíduos, refletindo se iniciativas como oficinas de reciclagem e reaproveitamento de materiais contribuem para a formação da consciência crítica ou se permanecem restritas à mudança de hábitos individuais. Nesse sentido, Luara observa como o sistema atual joga toda a culpa do colapso ambiental nas pessoas: "Quando a lógica do mercado domina a gestão do saneamento, as ações ambientais correm o risco de virar só um greenwashing (uma maquiagem para cumprir burocracia ou evitar multas), enquanto os problemas estruturais e o racismo ambiental continuam sendo escondidos".
PAULO FREIRE - Inspirado no pensamento de Paulo Freire, o trabalho propõe que a educação ambiental precisa ir além do ensino de técnicas e incentivar práticas sustentáveis. "Ela também deve levar as pessoas a refletirem sobre as causas dos problemas ambientais e sobre o papel de cada um na transformação da sociedade", afirma Thalia.
Para o professor Máximo Eleotério Martins, o diferencial do trabalho está em aproximar a Engenharia Ambiental de uma perspectiva pedagógica e humanística. Para ele, o estudo rompe com a ideia de que ensinar é uma atribuição exclusiva das licenciaturas, uma vez que o profissional de engenharia atua, na prática, como um educador político no território.
A pesquisa também chama a atenção para a necessidade de se repensar o ensino dos engenheiros ambientais diante dos desafios socioambientais contemporâneos. Segundo Máximo, "a formação técnica tradicional, muitas vezes limitada ao cumprimento de leis e à eficiência financeira, é insuficiente para enfrentar crises socioambientais complexas". Para ele, integrar os princípios da pedagogia crítica à formação em Engenharia permite que o profissional evite que suas ações sejam meramente mecânicas ou "bancárias".
RECONHECIMENTO - Além da Menção Honrosa, o convite para publicação na revista GESTA amplia a visibilidade do trabalho e possibilita que suas contribuições alcancem a comunidade científica. Para Thalia, o mérito representa a valorização do esforço coletivo. "Ganhar essa menção honrosa foi uma alegria muito grande. A gente fica feliz porque é um reconhecimento de todo o trabalho e da dedicação que tivemos durante a pesquisa", ressalta.
Já Luara reforça a relevância do tema e da Menção Honrosa. "Ver um trabalho que traz esse olhar humano, político e crítico para dentro de um evento do porte do COBESA mostra que o setor de saneamento e a engenharia estão atentos a essa necessidade. Para nós, esse reconhecimento reforça o papel transformador da universidade pública".