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UFOP discute criação de instância na Ouvidoria para tratar questões raciais

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Divulgação
A Reitoria da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) recebeu, esta semana, representantes do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) e servidoras que serão indicadas para a Ouvidoria da Universidade. O encontro teve como objetivo discutir medidas para tratamento e encaminhamento de situações envolvendo racismo, além de outras questões sobre as relações raciais. 
 
Entre as propostas discutidas estava o encaminhamento de solicitação para que o Conselho Universitário (Cuni) avalie a possibilidade de criação de uma instância especializada em questões raciais vinculada à estrutura da Ouvidoria e que atue em diálogo com o Neabi. 
 
O reitor da UFOP, Luciano Campos, reforça que a criação desse espaço é fundamental para a comunidade acadêmica, funcionando como um canal que envolve tanto críticas e elogios como denúncias. "A Ouvidoria é fundamental na medida em que o racismo é estrutural e institucional. É preciso pessoas que tenham um letramento racial e que sejam capazes de compreender essa denúncia para fazer uma apuração dos fatos", destaca. Ele comenta também sobre a importância de não apenas fomentar o acesso à educação superior, mas também garantir a permanência de forma qualificada e sem discriminação nos espaços da Universidade. 
 
Outro ponto debatido na reunião foi a necessidade de desenvolver estratégias educativas para conscientizar a comunidade acadêmica sobre questões raciais, incluindo manifestações culturais e religiosas da população negra. 
 
O coordenador do Neabi, Clézio Gonçalves, destaca o Programa de Incentivo à Diversidade e Convivência (Pidic), que lança editais anuais para financiar projetos de inclusão e valorização da diversidade: "essa é uma das iniciativas que deve ser aprimorada e intensificada para que a diversidade e a convivência no ambiente universitário possam se tornar algo mais leve e humano". O professor também reforça ser necessário "um investimento institucional para que os professores e técnicos passem por um momento de formação para poder lidar com questões étnico-raciais". 
 
Na ocasião, também foi destacada a importância de fortalecer o diálogo com as comunidades no entorno da UFOP, com foco na orientação sobre as possibilidades de acesso à Instituição. O objetivo é ampliar o conhecimento sobre o caráter público da Universidade e as políticas de ações afirmativas, garantindo maior inclusão de estudantes negros e indígenas no ensino superior.
 
Segundo o representante externo do Neabi, William Adeodato, o Núcleo tem assumido com muita competência a função de mostrar que a UFOP tem espaço também para a diversidade, com ações como o projeto "Cotas para quê e para quem", que leva a Instituição até os estudantes das escolas públicas e da periferia. William também destaca que, "ao instituir uma coordenação adjunta para um representante da comunidade externa, a Universidade se posiciona como uma instância disposta a dialogar com o diferente. É uma ação inclusiva que deveria servir de exemplo". 
 
Os encaminhamentos da reunião foram repassados para apreciação na próxima reunião do Cuni. 

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