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Escola de Minas celebra 150 anos com homenagens e olhar para o futuro

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Beto Caram
A Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) comemorou seus 150 anos de história com uma sessão solene realizada no sábado (10), no Centro de Artes e Convenções da Universidade. A cerimônia reuniu autoridades, professores, estudantes e antigos alunos para celebrar a trajetória da instituição, fundada em 12 de outubro de 1876, para reconhecer pessoas que contribuíram para sua história e projetar os desafios para os próximos anos.
 
A contribuição da Escola de Minas para a engenharia brasileira e para o desenvolvimento do país foi enfatizada/enaltecida/celebrada nos discursos da solenidade. O reitor Luciano Campos destacou que a trajetória da unidade inspira a Universidade a valorizar a própria história e tradição e a pensar em seu crescimento. Para ele, a UFOP que se inspira na Escola de Minas é a que quer mais, que pensa grande e está caminhando para esse crescimento. Luciano apontou a chegada do hospital universitário, o crescimento de novos cursos, nas áreas de ciência e tecnologia, além da engenharia, e a implementação do campus universitário de Ipatinga como desafios inspirados no modo como "a Escola de Minas, com seus 150 anos, nos projeta a pensar grande e crescer".
 
Luciano também afirmou que a inspiração de valorização da memória deve servir a todas as outras unidades, cada uma com suas potencialidades. Segundo ele, a Instituição tem uma função que ultrapassa a formação, já que educar não pode se resumir a ensinar técnica, a formar profissionais técnicos. "Isso é altamente relevante, mas educar não se resume a isso. Educar vai além: é forjar homens e mulheres na sua totalidade. A Escola de Minas tem essa preocupação, e a gente vê [isso] quando participa dos festejos, os choros, as histórias, o rememorar o passado", pontuou.
 
AFETO E PERTENCIMENTO - A relação afetiva com a Escola de Minas foi um dos temas centrais da celebração. Oradora dos antigos alunos, a engenheira Patrícia Tonidandel Schettini compartilhou lembranças de sua relação com a Instituição, onde gerações de estudantes construíram trajetórias profissionais e pessoais. Ao falar sobre os vínculos que permanecem mesmo depois da graduação, ela afirmou que "a Escola de Minas nos devolve profissionais ao mundo, mas o mundo nunca devolve a Escola de dentro da gente". Patrícia ainda acrescentou que "a maior obra construída pela Escola não estava nas estradas, nas ferrovias, nas barragens, nas minas, nas salas de aula ou nas indústrias, mas sim na plateia." 
 
Esse sentimento atravessa diferentes gerações. Hélder Zenóbio, formado em 1956 e com 70 anos de graduação, relatou a emoção de retornar à Escola de Minas aos 94 anos. Ele refletiu sobre as mudanças ao longo das décadas e defendeu que a formação dos estudantes continue valorizando a ética, a moral e a responsabilidade cidadã.
 
A vice-reitora da Universidade, Roberta Fróes, também destacou o vínculo entre a Instituição e seus estudantes, ao comparar o entusiasmo de quem está começando a graduação com a emoção dos antigos alunos que retornam depois de muitos anos: "Eu não pertenci à Escola de Minas, sou professora da Química, mas trabalho com muitos alunos do primeiro período da Escola. Desde o primeiro período eu vejo neles essa alegria de pertencer a algo muito importante, de estar em um ambiente onde eles se sentem assim, já que mal chegaram na Universidade e pensam: 'olha, eu estou no lugar certo'". Roberta ainda apontou o entusiasmo e o amor dos antigos alunos pela Escola, que é transmitido às novas gerações.

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Beto Caram
Comunidade se reuniu para celebrar os 150 anos da Escola de Minas
RELAÇÃO COM OURO PRETO - O Aluno Destaque de 2025, Juarez Linhares, ressaltou a importância da comunidade ouro-pretana no acolhimento de tantos jovens, que saem da cidade com mais do que uma formação, mas também carregando consigo a história de Ouro Preto, sua generosidade e os vínculos nela construídos. Juarez também destacou a contribuição das repúblicas estudantis na formação humana, com experiências de convivência, solidariedade e respeito às diferenças.
 
A relação entre a Instituição e a cidade também foi lembrada pelo prefeito de Ouro Preto, Ângelo Oswaldo, que abordou a trajetória do ensino superior no município e a importância da Escola de Minas para a história local. Segundo ele, a fundação da unidade, em 1876, integra o percurso de Ouro Preto como espaço de produção científica, formação profissional e desenvolvimento educacional.
 
HOMENAGENS - A cerimônia também reconheceu diferentes gerações ligadas à Escola de Minas. Foram homenageados os antigos alunos formados em 1966, 1971, 1976 e 2001, pelos jubileus de Diamante, Esmeralda, Ouro e Prata, respectivamente. Também foram prestadas homenagens aos professores aposentados David Pinheiro Junior, Mariângela Garcia Praça Leite, Maria Silvia Carvalho Barbosa e Rosane Nogueira Gabetto.
 
 Excepcionalmente, o Conselho da Escola de Minas concedeu 15 Medalhas Escola de Minas, cada uma representando uma década, em reconhecimento a pessoas e iniciativas que contribuíram para a trajetória da Instituição.  Entre os agraciados in memoriam estão o fundador Claude-Henri Gorceix e Maria José de Oliveira Castro, primeira engenheira formada pela Escola de Minas em 1957. Também foram reconhecidos antigos diretores, professores, profissionais e representantes de iniciativas ligadas à engenharia e à participação das mulheres no setor.
 
A solenidade contou com a entrega de uma medalha especial de ouro à Escola de Minas, apresentada pelo presidente executivo da Fundação Gorceix, Cristovam Paes de Oliveira, paraninfo do sesquicentenário. Confeccionada especialmente para a ocasião em exemplar único, a peça teve seu molde destruído pela Casa da Moeda do Brasil após a produção e foi entregue à direção da unidade para integrar o acervo institucional. A medalha será exposta no setor de Mineralogia durante a reabertura comemorativa do Museu de Ciência e Técnica, na Praça Tiradentes.
 
FUNDAÇÃO GORCEIX - Criada em 1960 por iniciativa de antigos alunos da Escola de Minas, a Fundação mantém uma relação histórica e umbilical com a unidade, apoiando atividades de ensino, pesquisa e assistência estudantil. Em seu discurso, Cristovam destacou a importância da parceria com a Escola e a Universidade para a continuidade das atividades acadêmicas e para o desenvolvimento de iniciativas ligadas à formação e à pesquisa. Para ele, os idealizadores da Escola no século XIX talvez não pudessem prever os desafios científicos, ambientais e tecnológicos do século XXI, mas certamente reconheceriam a qualidade do princípio que inspirou sua criação. 
 
Cristovam ressaltou que nenhum país alcança desenvolvimento duradouro sem investir em educação, pesquisa e formação de pessoas qualificadas. "Essa é a missão legada por Gorceix e é a responsabilidade que a Escola de Minas assumiu há 150 anos, renovando-se a cada geração. Para assegurar a continuidade desse legado, é necessário fortalecer os vínculos entre a Escola, a Associação dos Antigos Alunos, o sistema de repúblicas de Ouro Preto e a Fundação Gorceix", afirmou. Segundo o paraninfo, essa união constitui uma base essencial para o crescimento da Universidade e para a preservação dos valores que a tornaram grandiosa. 
 
FUTURO - Ao projetar o futuro da Universidade, a vice-diretora da Escola de Minas, Irce Guimarães, ressaltou a contribuição histórica da unidade e os desafios da engenharia diante de questões como a transição energética, a descarbonização da indústria e a sustentabilidade. Irce também destacou a importância de integrar a inteligência artificial com a ética humana e garantir a segurança híbrida e alimentar das próximas gerações. "Os engenheiros do futuro não serão meros executores de fórmulas, serão guardiões do equilíbrio entre a intervenção humana e a sustentabilidade da vida. O verdadeiro legado do engenheiro que agora formamos não será medido apenas pelo que eles constroem, mas também pelo que eles conseguem preservar e regenerar", constatou.
 
O reitor Luciano Campos acrescentou que a Escola de Minas deve continuar sendo uma bússola para guiar a Universidade rumo aos novos desafios, especialmente os relacionados à exploração das riquezas minerais. "A exploração das riquezas minerais para os próximos anos deve considerar, além de uma formação técnica sólida, uma responsabilidade grande com a natureza, as pessoas afetadas, os territórios e, sobretudo, com o fato de que essas riquezas, sendo patrimônio do povo brasileiro, devem ser convertidas em melhoria da qualidade de vida." Outro desafio apontado pelo reitor é que esse novo ciclo da mineração não se fará sozinho com engenheiros. "Esse novo ciclo, e bom que estamos agora numa universidade, vai reivindicar que os engenheiros façam um trabalho interdisciplinar, incorporando especialmente os nossos companheiros e companheiras pesquisadores da área de computação, da área da química, da área da física, da área da biologia. E esse é o grande trunfo da Escola para os próximos 150 anos", ressaltou.
 
Luciano também mencionou a recente aprovação da UFOP, em quinto lugar, em um edital ligado à mineração, no qual a Universidade lidera uma rede de universidades brasileiras por meio do projeto MineraMundi. Segundo ele, o protagonismo da Escola de Minas continua, agora aliado a outros pesquisadores da Universidade e de outras unidades. Para que essa liderança ocorra e para enfrentar esses novos desafios, o reitor anunciou que nesta semana será enviado à Escola um ofício para dar início à criação de um comitê responsável por discutir a questão das terras raras e dos minerais críticos na UFOP. "Acredito que toda essa força da Escola de Minas nos obriga a ter um papel de protagonista nessa discussão para os próximos anos. A Escola de Minas inspira, mas assume a responsabilidade de também nos liderar nesses próximos 150 anos", destacou. 
 
PRESERVAÇÃO - O patrimônio da Escola de Minas e sua preservação também esteve entre os assuntos abordados. Luciano anunciou que a Universidade vai assinar, em breve, um acordo de cooperação com o Instituto Pedra para a realização de um diagnóstico multidisciplinar voltado à requalificação do Museu de Ciência e Técnica da unidade. A iniciativa deverá constituir uma primeira etapa para viabilizar uma reforma mais ampla do espaço, que guarda parte importante da história científica e tecnológica da Instituição.
 
O diretor da Escola de Minas, José Alberto Naves Cocota Júnior, destacou o trabalho conjunto com a Reitoria e a Fundação Gorceix para avançar na recuperação dos espaços históricos da unidade. Segundo ele, as obras no prédio da Escola de Minas localizado na Praça Tiradentes, licitadas pela Gorceix, devem começar em breve e incluem intervenções nos telhados, janelas e instalações elétricas. Cocota também explicou que a intenção da requalificação é buscar recursos submetidos por meio da Lei Rouanet para viabilizar uma reforma mais ampla do Museu de Ciência e Técnica, a partir dos projetos desenvolvidos com o Instituto Pedra e com apoio da Vale.
 
Durante as comemorações dos 150 anos, o Museu de Ciência e Técnica teve uma reabertura comemorativa, com visitas mediadas e controladas a setores específicos. A iniciativa integra a programação do sesquicentenário e representa uma oportunidade de reaproximação com a comunidade. (linkar com a matéria da semana passada)
 
 Ao encerrar a solenidade, Cocota resumiu os valores que orientam a trajetória da Escola de Minas: "tradição e história, inovação e desenvolvimento, ética e excelência". A celebração dos 150 anos marca não apenas o reconhecimento do caminho percorrido pela unidade, mas também a continuidade de um legado que se renova a cada geração.
 

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