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Pedelle retoma ciclo de conversas decoloniais com discussões sobre educação indígena

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João Henrique Ribeiro
Grupo de estudantes e participantes indígenas posam juntos em frente a um projetor com a apresentação “Educação Indígena” durante evento acadêmico em uma sala com paredes brancas e janelas azuis.
Com foco na exploração de novas abordagens educativas visando construir alternativas à educação tradicional, o Projeto de Extensão Decolonialidade e Educação Linguística em Línguas Estrangeiras (Pedelle) iniciou, na última semana, seu IV Ciclo de Conversas Decoloniais. O encontro, realizado na sala Affonso Ávila do Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS), reuniu estudantes, professores e membros da comunidade acadêmica para dialogar sobre práticas educativas contra-hegemônicas, com ênfase nas pedagogias indígenas, a partir de questões trazidas por Daniel Nioret Borum-Kren.
 
Doutorando em Ciências Biológicas pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas (Cbiol) da UFOP, onde também recebeu o título de mestre, Daniel atua como professor substituto de Citologia Clínica no Departamento de Análises Clínicas (DEACL) da Escola de Farmácia (Efar) e é uma importante liderança indígena na Região dos Inconfidentes. Durante a conversa, ele compartilhou reflexões sobre os diferentes modos de educar nos territórios indígenas, abordando temas como oralidade, ancestralidade, corpo, território e o direito à diferença. 
 
DIFERENÇAS - Na oportunidade, foram ressaltadas, também, as diferenças entre educação indígena, educação escolar indígena e o ensino da cultura indígena nas escolas. Para Daniel, a educação indígena é um processo contínuo e comunitário, que se transmite oralmente e se manifesta no território, com mestres e mestras que vão além da figura do professor, estando também presentes nas águas, nas plantas, nos animais, nos mais velhos e nas crianças. Em contraste, a educação escolar indígena, embora represente uma conquista, ainda se baseia em lógicas avaliativas e epistemológicas coloniais. Por sua vez, o ensino da cultura indígena nas escolas frequentemente apresenta-se de maneira superficial e estereotipada.
 
Nesse sentido, o professor destacou que o modelo de educação brasileiro ainda se baseia em estruturas violentas, homogeneizantes e competitivas, sendo necessário construir outros caminhos que valorizem os modos originários de viver e saber, promovendo uma educação que reencante os sonhos e fortaleça a coletividade. Ele também abordou a construção da primeira Universidade Indígena do Brasil, em articulação com diversos povos, incluindo o povo Borum-Kren, que busca consolidar um espaço de educação anticolonial e contra-hegemônica, pautado no bem-viver. 
 

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João Henrique Ribeiro
Mesa coberta com tecido exibindo colares, pulseiras e adornos feitos com sementes, penas e contas coloridas, representando o artesanato indígena.
Como parte da proposta de imersão da atividade, foram expostas algumas peças artesanais feitas por indígenas da região
 
O PROJETO - Criado em 2023, a partir da inquietação da professora do Departamento de Letras (Delet) e diretora em exercício do Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS), Jhuliane Evelyn da Silva, o Pedelle utiliza o espaço da extensão para explorar outras formas de conhecimento e repensar práticas pedagógicas. Como professora de língua inglesa, ela destaca que percebia um grande volume de projetos voltados ao Norte Global, afirmando que o Pedelle nasce questionando isso e criando espaço para outras epistemologias e formas de existir no mundo.
 
A retomada do projeto, agora em seu quarto ciclo de conversas, reafirma esse compromisso, promovendo encontros quinzenais abertos à comunidade acadêmica e ao público em geral. A proposta é que o Pedelle funcione como uma sala aberta, conectando Universidade e comunidade local, escuta e criação. Para acompanhar as atividades desenvolvidas, acesse o Instagram da iniciativa. 

 

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