O Departamento de Música (Demus) da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) recebeu, nesta semana, o I Criamus – Encontro de Criação e Pesquisa em Música da UFOP. Com o tema “Caminhos e Confluências em Composição, Teoria e Análise Musical”, o evento promoveu debates, oficinas, concertos e apresentações acadêmicas voltadas à integração entre criação artística, pesquisa e produção musical.
Idealizado pelo professor André Codeço, o encontro surgiu da necessidade de ampliar os espaços de experimentação prática dentro da graduação em Música. Segundo o docente, a proposta foi aproximar áreas que muitas vezes são vistas de forma separada pelos estudantes, como composição, análise e teoria musical.
Além de fortalecer a formação artística dos alunos, o professor destacou que o encontro também busca incentivar novas perspectivas acadêmicas e profissionais. Para ele, muitos estudantes chegam à universidade pensando apenas na licenciatura e descobrem, ao longo da graduação, outras possibilidades de atuação. “É o momento de encher esses alunos de sonhos, de objetivos, de perspectivas futuras”, afirmou.
Entre as atividades da programação, a aula aberta “Produção Musical”, realizada na tarde da última quinta-feira (28), aproximou os estudantes dos bastidores técnicos de uma gravação profissional. A oficina foi ministrada por Gabriel Moretti, aluno da licenciatura em Música da UFOP e bolsista do Laboratório de Composição, Teoria e Análise Musical (ComTAMus).
Atuando também como produtor musical e engenheiro de áudio na região de Ouro Preto, Moretti apresentou aos participantes ferramentas e conceitos utilizados em estúdio, como softwares de produção musical, plugins, instrumentos virtuais e técnicas de microfonação. Durante a atividade, os alunos acompanharam desde a captação de voz e instrumentos até processos de edição, mixagem e equilíbrio sonoro. A dinâmica incluiu ainda discussões sobre harmonia e a gravação coletiva de uma guia de samba, permitindo que os participantes experimentassem, na prática, etapas da produção musical contemporânea.
As atividades práticas chamaram a atenção principalmente dos estudantes que estão iniciando a trajetória universitária. As calouras Anaeli e Ana Kézia, do primeiro período de Música, relataram que o contato com áreas como produção musical, concertos e escrita acadêmica ampliou a visão que tinham sobre o curso.
Anaeli afirmou que a experiência proporcionada pelo evento foi diferente de tudo o que já havia vivenciado antes da universidade. Segundo ela, as oficinas de criação musical foram os momentos mais marcantes, justamente pela participação ativa dos estudantes.
Já Ana Kézia destacou o impacto emocional das atividades e a motivação despertada pelas aulas abertas. “Dá a sensação de que a gente não pode parar com os projetos, de continuar com a animação. É saber que eu estou no lugar certo, depois de muito tempo andando por aí tentando achar o caminho.”
Além da oficina de produção musical, o I Criamus reuniu palestras, apresentações artísticas e debates envolvendo diferentes linguagens da música popular e erudita. Entre os destaques, esteve a palestra “O Intérprete como Criador”, ministrada por Bernardo Fabris, que discutiu aspectos da construção idiomática a partir da atuação de saxofonistas na música popular urbana. O evento também contou com apresentações musicais, como a do violonista Tabajara Belo.
Realizado pelo laboratório ComTAMus em parceria com o Demus e a UFOP, o encontro marca uma nova iniciativa voltada para o fortalecimento da pesquisa, da criação artística e da autonomia profissional dos estudantes de música da universidade.