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Encontro da Agrobiodiversidade destaca sementes crioulas como patrimônio biocultural dos territórios

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Maurício Leonard
Público presente no Encontro da Agrobiodiversidade
O Hall da Escola de Minas recebeu, na semana passada, o Encontro da Agrobiodiversidade, iniciativa que promoveu rodas de conversa, feira agroecológica com agricultores de Ouro Preto e região, oficinas de cultivo de hortas em vasos e diversas atividades voltadas à valorização do patrimônio biocultural.
 
O evento integra a itinerância da "Mandala da Agrobiodiversidade", que já passou por Viçosa e Rio de Janeiro e chegou também a Ouro Preto, seguindo posteriormente para outros territórios. A proposta busca fortalecer o diálogo entre comunidades, instituições de ensino e organizações da sociedade civil em torno da conservação da agrobiodiversidade e dos saberes tradicionais associados.
 
Ao reunir os "guardiões e guardiãs das sementes crioulas" da região, o encontro possibilitou a apresentação e troca de cerca de 60 espécies de sementes preservadas por diferentes gerações de famílias agricultoras. Essas sementes representam não apenas a diversidade genética dos cultivos, mas também a memória, a cultura e os modos de vida das comunidades rurais.
 
A realização do evento foi viabilizada por meio da parceria entre o Núcleo de Estudos em Agroecologia Inconfidentes, do Departamento de Arquitetura (Dearq/UFOP), e o Centro de Tecnologias Alternativas da Zona da Mata (CTA-ZM), de Viçosa, com apoio do Grupo Simbiose (UFV), do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Ouro Preto e da Organização Cooperativa de Agroecologia (OCA).
 
Um dos idealizadores da iniciativa, o professor Maurício Leonard, do Dearq, destacou a relevância de ações como essa para a conservação da biodiversidade agrícola e das culturas alimentares tradicionais. "Temos perdido continuamente a agrobiodiversidade nos territórios e, consequentemente, as ricas culturas alimentares associadas a eles. À medida que realizamos encontros como este, fortalecemos as troca entre agricultores familiares, tecendo uma grande rede de proteção, conservação e multiplicação das sementes e dos alimentos que fazem parte da nossa identidade cultural. Cultura, também se come!”, assinalou.
 
 

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