A Sala de Vidro da Universidade Federal de Ouro Preto, no campus Morro do Cruzeiro, recebe a exposição Ndánji: uma raiz ancestral, da artista Danielle dos Anjos. A mostra, inaugurada na última terça-feira (12), reúne diferentes técnicas e materiais para refletir sobre ancestralidade, identidade e a beleza do cabelo e do corpo da mulher negra.
A proposta da exposição nasce da relação da artista com sua história familiar. Filha e neta de cabeleireiras, Danielle conta que cresceu em um salão de beleza negro, experiência que inspirou a construção da instalação artística.
As tranças aparecem como elemento central da exposição e conduzem o diálogo entre as obras. A partir delas, a artista incorpora outros materiais e linguagens, como cerâmica, gravura em metal, desenhos em carvão e toalhas utilizadas no antigo salão da família. Segundo Dani, a intenção era criar um espaço tomado por cabelos negros e construir, ao redor deles, diferentes conexões visuais e afetivas.
Entre os trabalhos expostos estão desenhos em madeira representando diferentes penteados, além de gravuras feitas em toalhas com o uso de tetrapak no lugar do metal tradicional. A artista destaca que a mostra busca provocar reflexões sobre beleza, corpo e identidade a partir de múltiplos materiais e formas de criação.
Além da dimensão artística, Dani dos Anjos, ex-aluna da graduação e do mestrado da UFOP, ressaltou a importância de ocupar e expor seu trabalho no campus e defendeu a valorização da diversidade presente na instituição. “Eu acho muito importante que a gente tenha esses trabalhos sempre acontecendo aqui”, afirmou.
A exposição pode ser visitada gratuitamente até 27 de maio, sempre das 11h às 13h30, na Sala de Vidro da UFOP, em Ouro Preto.