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Centro de Valorização da Vida (CVV) chega a Ouro Preto

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Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 2000 e 2012, houve um aumento de 10,4% na taxa de casos de suicídio no Brasil, sendo um terço entre os jovens. Estima-se que, até 2020, esse número aumente em até 50%. Diante dessa realidade e após vivenciar a perda de seu filho, o geólogo e produtor cultural Ricardo Campolim decidiu militar pela causa pró-vida e atualmente está à frente da implantação de uma unidade do Centro de Valorização da Vida (CVV), em Ouro Preto. O posto pretende atender toda a população regional e universitária.  
 
O evento de lançamento do Núcleo de Apoio à Vida de Ouro Preto (NAVIOP), mantenedora do Centro de Valorização da Vida de Ouro Preto (CVV-OP), será no dia 28 de fevereiro de 2018, às 19h, no Anexo do Museu da Inconfidência. João Régis da Silva, responsável pela expansão nacional do CVV, fará a palestra "Suicídio: 90% têm prevenção". Durante a primeira semana de março, serão cadastrados os voluntários para o treinamento dos atendentes do CVV-OP, que irá ocorrer em cinco finais de semana, em março e início de abril. O início do atendimento presencial está previsto ainda para abril.
 
O início dessa jornada começou em 2016, com a criação do grupo Universidade Pró-Vida, uma iniciativa de alunos e professores da UFOP para debater saúde mental na Instituição. Esse grupo surgiu por conta do alto índice de suicídios que ocorrem nas universidades brasileiras. Ricardo fez parte da equipe com a participação em rodas de conversa, inclusive durante as ocupações realizadas pelos estudantes entre outubro e dezembro de 2017. A primeira roda de conversa aconteceu na Escola de Farmácia, no campus Morro do cruzeiro e contou com a presença de aproximadamente 120 pessoas e dois profissionais da área de saúde mental da Prefeitura de Ouro Preto, uma assistente social e uma psicóloga. Ricardo, com essa experiência, conta ter observado que, dentre as questões recorrentes tratadas pelos estudantes, estavam a ansiedade, a depressão motivada por pressão do sistema estudantil, a sobrecarga de atividades, além do assédio moral e sexual. "Outra questão grave é o estímulo ao uso de drogas lícitas e ilícitas dentro do ambiente estudantil, principalmente o álcool e o tabaco", afirma. 
 
Pensando em possíveis motivos que se tornam gatilho do enfraquecimento mental e físico, sobretudo da população jovem e universitária, Ricardo destaca que a LGBTfobia, o machismo e a disposição genética de fragilidades psíquicas e dos traumas de infância podem converter-se em depressão e, consequentemente, levar ao suicídio quando o indivíduo entra em processo de esgotamento. Nesse sentido, ele considera as rodas de conversa um espaço muito propício ao acolhimento. "São muito emocionantes, porque as pessoas percebem que elas não estão sozinhas, que esses problemas não são só delas", comenta. 
 
Naviop - Após o término das atividades do Pró-Vida, Ricardo fundou a ONG Núcleo de Apoio à Vida de Ouro Preto (Naviop), que foi o primeiro passo para o requerimento do posto CVV na cidade. O Núcleo é composto por moradores de Ouro Preto, associações diversas, comunidades religiosas, dentre outras. 
 
A professora Kerley dos Santos Alves, do Departamento de Turismo (Detur) da UFOP, também está envolvida tanto com o Naviop quanto com a implementação do posto. Ela se dedica ao tema saúde mental no trabalho desde 2012 e possui experiência como plantonista do CVV. "A minha expectativa é que o Naviop possa atuar em conjunto com as ações na Universidade e para a comunidade. Por meio de um trabalho sistematizado e interdisciplinar, podemos ampliar a rede de apoio para aqueles que precisam saber que não estão sozinhos", destaca. Na Pró-Reitoria Extensão (Proex) da UFOP, o pró-reitor adjunto Wilson Pereira de Oliveira vê a necessidade de implantação do CVV e diz que há intenção da Universidade em ser parceira nos trabalhos, mas algumas questões ainda precisam ser acertadas para que a parceria seja firmada. 
 
CVV - O CVV é uma instituição que existe há 55 anos e atua com cerca de dois mil voluntários em 70 cidades do Brasil. De forma gratuita, o posto realiza atendimento visando ao apoio emocional e à prevenção do suicídio para todas as pessoas que queiram e precisam conversar. O atendimento ocorre sob total sigilo, pessoalmente, por telefone, e-mail, chat e voip, 24 horas todos os dias. Além do atendimento, a ONG Naviop pretende realizar atividades diversas de prevenção, mobilização e sensibilização da comunidade ouro-pretana em relação ao suicídio, à depressão e à ansiedade. 
 
Neste mês de fevereiro, foram realizadas duas ações relacionadas à temática no campus Morro do Cruzeiro: a palestra "Turismo, Gênero e Suicídio: relações veladas", com a profª drª Kerley dos Santos Alves, e a Roda de Conversa "Renovando atitudes, quebrando o tabu do suicídio", mediada por Luiz França e a profª Kerley. 
 
Confira o vídeo produzido pela TV UFOP, que aborda o mal-estar na universidade:
 

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