skip to content

Professor da UFOP defende tese sobre perfil dos alunos de Medicina

Twitter icon
Facebook icon
Google icon
Arquivo pessoal

O professor Gustavo Meirelles Ribeiro, que há nove anos atua no Departamento de Ciências Médicas da UFOP, defendeu a tese "O processo de escolha do curso de medicina por alunos de duas instituições federais de Minas Gerais no contexto de implantação de políticas de democratização do acesso ao ensino superior". A defesa ocorreu no final de janeiro, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), instituição onde o professor cursou o doutorado em Educação. 

Sua pesquisa aborda o processo de escolha do curso de Medicina no cenário do Sistema de Seleção Unificada (SiSU) e das políticas de ação afirmativa, sobretudo dos estudantes que ingressaram na UFOP e na UFMG. O professor utilizou a sociologia da educação como principal abordagem sobre o tema da escolha do curso superior em um determinado contexto social. Nesse viés da sociologia, entende-se que cursos de maior prestígio — aqueles a que a sociedade atribui mais valor por conta do retorno financeiro elevado na profissão, como Medicina — geralmente são frequentados por estudantes de classes sociais mais altas. Ao mesmo tempo, com a política de cotas, um número considerável de estudantes de baixa renda tem ingressado no curso de Medicina, o que fez com que o docente questionasse os motivos que levaram esses diferentes estudantes a optarem pelo curso. Gustavo constatou em sua pesquisa que existe algo que aproxima os dois estudantes de classes distintas, como se, mesmo com o SiSU e as cotas, houvesse uma seleção muito específica acerca do padrão de jovens ingressantes nesse curso. 

Segundo o professor, o estudo veio de uma inquietação pessoal e "teve uma relevância para o campo da pesquisa para pensarmos na Medicina dentro da universidade, e isso influencia em política de permanência, mas também faz pensar que dentro do curso existem diferenças que temos que conhecer para trabalhar".  

Gustavo aplicou questionários a 277 alunos da UFMG e 73 da UFOP, além de doze entrevistas pessoais divididas nas duas universidades, que o levaram a perceber algumas semelhanças significativas entre os estudantes que ingressaram por meio das cotas e os que ingressaram pela ampla concorrência. Entre elas, algumas são: trajetória escolar, escolas conceituadas (privadas e públicas), idade entre 18 e 20 anos (o que mostra que o ingresso de ambos foi rápido), boa escolaridade dos pais e a escolha o curso há bastante tempo. Além disso, foram observados alguns dados curiosos, como o fato de a maior parte dos estudantes de Medicina da UFOP ser do sexo feminino e, em contrapartida, na UFMG, a maioria se constituir do sexo masculino. O pesquisador observou, ainda, que o rendimento de ambos os estudantes são do mesmo nível, o que o leva a concluir que as semelhanças são maiores que as diferenças, em vários aspectos. 

"Para mim, como pesquisador, o reconhecimento dessa influência para o ambiente social faz ver o estudante, e qualquer pessoa, como alguém que deve ser visto com mais respeito, porque essa pessoa tem uma história que eu não vivi e que faz com que ela aja de determinada forma. Isso me fez crescer muito como professor. Estou muito feliz de ter feito uma tese na área de educação", finaliza.