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Dia Internacional da Mulher

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Pensar em possibilidades normalmente nos remete apenas ao que nos é dado, ao que parece estar disponibilizado naturalmente à nossa frente, mas não é bem assim. A humanidade, ao longo da história, produziu uma sociedade baseada em categorizações e, por consequência, em segregações. A imagem da mulher, por um longo tempo, tem sido associada à (hiper)sexualização de seu corpo, ao cuidado da casa e da família e à ocupação de postos servis. O caminho percorrido até aqui, suas lutas e suas conquistas deixam clara a aridez desse percurso.
 
As novas questões de gênero somam-se a outras relacionadas às minorias de direitos: as chamadas políticas de identidade. Um exemplo é a situação da mulher negra, a quem as possibilidades são ainda mais dificultadas. O mesmo podemos dizer das mulheres que não se encaixam no padrão social tradicional de afetividade e identificação de gênero biológico. Os valores estabelecidos por uma sociedade patriarcal produzem amoldamentos que diluem e violentam a diversidade.
 
Estamos em um meio acadêmico e, por inclinação e obrigação, devemos refletir sobre a condição das mulheres. A saúde, a profissionalização, a garantia dos direitos, a inviolabilidade dos corpos, o reconhecimento das suas histórias e diversas outras questões devem ser enfrentadas e aprofundadas, aqui, também como forma de empoderamento e vislumbre de novas possibilidades, de justas e devidas conquistas. A igualdade definida em nossa Constituição está distante de ser efetiva e, até por isso, deve ser perseguida com afinco.
 
As desigualdades impostas pela lógica patriarcal afrontam a dignidade e o direito à igualdade de condições de trabalho e vida social de professoras, de servidoras do quadro técnico-administrativo, de funcionárias terceirizadas e de nossas alunas. Ser a primeira mulher à frente da gestão de uma Instituição como a UFOP demanda uma tomada de posição e, ao mesmo tempo, cria expectativas. Reconheço o imenso desafio e o enfrento. Mais que pessoas ocupando espaços e posições, precisamos ser vistas como mulheres, em todas as nossas potências, extremamente capazes, em um constante processo de construção política, afetiva, pessoal, social e com sonhos a serem conquistados. Nem mais, nem menos, devemos ter a plena igualdade de possibilidades.
 
Parabéns, mulheres, pelo seu papel na sociedade e pelo nosso dia!
 
Profª. Cláudia Aparecida Marliére de Lima
Reitora da UFOP