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| Vestibular Endeavor para empreendedores |
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O trabalho de Letícia Queiroz não é dos mais fáceis, mas com certeza é um dos mais gratificantes. Sua rotina baseia-se em, todos os dias, esmiuçar informações sobre as empresas, que têm um diferencial inovador e que, muitas vezes, não costumam ganhar tanto espaço na mídia por serem ainda pequenas ou terem acabado de nascer. Letícia é a responsável pela área de busca e seleção do instituto Endeavor. É ela quem diz quais empreendedores têm – ou não – chances de receber apoio da instituição. Hoje, dos cerca de 500 empreendedores que tentam se tornar membros da Endeavor, apenas 1% consegue chegar à reta final. “Somos muito criteriosos”, diz Letícia. No final, o resultado chega. Hoje, as empresas apoiadas pela Endeavor geram R$ 2 bilhões em receitas e empregam 15 mil trabalhadores. São 44 companhias, capitaneadas por 88 empreendedores. “Nosso foco é a pessoa. Queremos estimular gente que gosta de inovar e que tem idéias que possam agregar valor à sociedade”, diz Karem Kanaan, diretora do instituto. Os nomes chegam pelo site do instituto ou por indicação de ex-membros ou parceiros. O que a maioria das pessoas não sabe é que 60% das selecionadas são procurados pela própria Endeavor. “Ligamos nos apresentamos e marcamos um encontro para analisar se a pessoa realmente tem o nosso perfil”, explica Letícia. Em muitos casos, a empresa fica só no primeiro encontro mesmo. O empresário recebe uma ligação, é convencido a contar detalhes do seu negocio e depois recebe um “muito obrigado mas você não esta no nosso perfil”. O contrário também acontece. É o caso do engenheiro civil Valério Dornelles, fundadores da Tecnologys. Ele foi procurado pela Endeavor, topou conversar e acabou mudando de vez o rumo do seu negócio. Passada a fase das primeiras entrevistas com a equipe de seleção, os empreendedores vão para uma segunda rodada de entrevistas, agora com voluntários da Endeavor. Essa equipe não faz parte, digamos, de um grupo de voluntários qualquer. São empresário e executivos de consultorias como a PricewaterhouseCoopers, por exemplo. Entre os vários nomes que estão nessa lista, alguns são Walter Torre, da construtora W. Torre, e Mauro Muratório, ex-presidente da Microsoft do Brasil. Nesse ponto, o empreendedor selecionado já saiu ganhando só por receber gratuitamente conselhos e dicas de como melhorar seu negócio de gente tão gabaritada. “O passo seguinte é o chamado painel nacional”, conta Letícia. Nele, o empreendedor é entrevistado pelos conselheiros da Endeavor no Brasil. Entre eles estão Paulo Lemann, Beto Sucupira, Fabio Barbosa e Emilio Odebrecht, para citar apenas alguns nomes. “Aqui, você tem que ser muito objetivo”, conta Daniel Wjuniski, sócio diretor do Minha Vida, que virou empreendedor Endeavor no final do ano passado. “Parece que eles sofrem de déficit de atenção. Não dá pra enrolar”, brinca, referindo, na verdade, à falta de tempo dos conselheiros. Esses encontros ocorrem a portas fechadas. Boa parte da equipe da Endeavor não tem acesso à sala por causa do conteúdo da conversa. Muitas vezes, os empresários são obrigados a dar exemplos reais, que ocorrem dentro de suas empresas, para mostrar aos empreendedores como proceder para crescer. Como são dados sigilosos, o acesso a eles é controlado. Quem passa pelo crivo do painel nacional vai para uma nova rodada, a internacional. Nela, o empreendedor se apresenta para um grupo que tem presidentes de grandes empresas e pesquisadores de instituições como Harvard ou Stanford. Se aprovado, vira de vez um empreendedor Endeavor. E é nessa hora que o trabalho realmente começa. O Instituto Empreender Endeavor foi criado a partir de uma parceria com a Endeavor Initiative Inc., uma organização internacional sem fins lucrativos que promove o empreendedorismo em países em desenvolvimento. Com sede em Nova Iorque, a Endeavor Initiative Inc. foi criada em 1997 por um grupo de ex-alunos da Universidade de Harvard que, tendo trabalhado em mercados emergentes, identificou a inexistência de uma cultura de incentivo ao desenvolvimento de novos negócios e de programas que efetivamente apoiassem empreendedores. Acreditando que a mentalidade empreendedora, que tanto beneficiou os Estados Unidos na última década, pudesse ser replicada com sucesso em países em desenvolvimento, os fundadores da Endeavor iniciaram sua operação na Argentina e no Chile em outubro de 1997. Atualmente, a Endeavor opera por meio de parcerias em mais 11 países e cada unidade possui administração independente, sendo mantida por empresários e parceiros locais. Fonte: Jornal Brasil Econômico |