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Gargalos e câmbio dificultam inovação

O presidente do Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI), Jorge Ávila, reconhece que o País ainda tem uma taxa de inovação abaixo de seu potencial, mas vê mudanças:

“O Brasil está no time dos novos inovadores, mas talvez seja o mais recente de todos. A nossa matriz nunca foi criativa, temos que mudar isso”.

Ávila diz que os problemas de gargalos na infraestrutura do País e a taxa de câmbio, com o real valorizado, dificultam a inserção dos produtos brasileiros no mercado externo e, assim, não incentivam a pesquisa.

“Não podemos esquecer, contudo, que há muita tecnologia por trás de produtos básicos”, disse o presidente do INPI, embora muitos especialistas afirmem que a pesquisa em produtos básicos aumenta a produtividade, não seu preço.

Carlos Gadelha, vice-presidente da Fiocruz, reconhece os avanços, mas afirma que, além do problema histórico, o País precisa avançar nos marcos regulatórios, para ampliar as parcerias entre instituições de pesquisa e empresas. Ele afirma que os tribunais de contas também precisam entender que as compras do setor são distintas e que, muitas vezes, o equipamento necessário não pode ser o mais barato.

Além disso, ele lembra que faltam recursos: “O Brasil possui um déficit comercial anual em remédios de US$ 8 bilhões. Se o investimento em pesquisa triplicasse, de R$ 200 milhões para R$ 600 milhões, o déficit do setor poderia cair até 25%, ou US$ 2 bilhões. Temos que vencer a resistência dos pesquisadores, que no Brasil sempre foram muito acadêmicos. O Brasil é mais forte em ciência do que em inovação”.

Orçamento anual da Embrapa é de R$ 1,8 bilhão – O chefe da assessoria de inovação tecnológica da Embrapa, Filipe Teixeira, afirma que dinheiro, em sua instituição, não é problema: o orçamento anual está em R$ 1,8 bilhão. Mas ele afirma que a tradição brasileira tem de ser mudada: “Somos o 13º país que mais publica textos acadêmicos, mas estamos na 24ª posição no ranking de patentes”, disse.

Entre as propostas de governo registradas no TSE pelos três principais candidatos à presidência, Dilma Rousseff detalhou mais as ideias para a inovação. Marina Silva (PV) também reconhece a importância do tema, e diz que o conhecimento pode ajudar na transição para uma economia mais sustentável. Já José Serra (PSDB) cita a importância de se priorizar a renovação do ciclo de riqueza.

(Fonte: O Globo)

 
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