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| Empresas passam por processo extenso e criterioso para fazer parte da Endeavor |
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Instituição selecionou mais seis empresas brasileiras, que obterão apoio para melhorar gestão, crescer e ganhar faturamento Por Mariana Iwakura Obter a consultoria de executivos de peso, como Carlos Alberto Sicupira, um dos controladores da AB InBev, e Pedro Passos, copresidente do conselho de administração da Natura, parece vantajoso para muitos. As 51 empresas brasileiras apoiadas pela Endeavor, organização internacional sem fins lucrativos que fomenta o empreendedorismo, têm essa possibilidade. A instituição fornece programas de orientação em gestão e estratégia e mantém um conjunto de mentores e conselheiros - como os citados acima - que ajudam as empresas a resolver problemas e a crescer. Para fazer parte desse grupo, no entanto, é preciso passar por um criterioso processo seletivo. A Endeavor concluiu, na semana passada, mais uma seleção de empreendedores para a sua rede. Durante o 34o Painel Internacional da instituição, realizado no Rio de Janeiro, foram avaliadas 14 empresas de diversos países. Onze foram selecionadas, sendo seis delas brasileiras: APPI, Biruta, Enox, Pietra, GigaLink e Portal Educação. Os participantes foram submetidos a sabatinas, em que empresários e executivos de grandes empresas e de fundos de investimento fizeram perguntas sobre a gestão e os resultados da empresa e sobre as histórias dos empreendedores. “É preciso ter transparência e boa governança para dar o exemplo a outros empreendedores”, diz Rodrigo Teles, diretor-geral da Endeavor no Brasil. “As empresas entram pequenas, e nós as ajudamos a crescer com bases muito sólidas de gestão. Depois elas passam para outras aquilo que aprenderam.” O painel internacional foi a sexta e última etapa da seleção. A primeira fase consiste em uma pré-análise de empreendedores que se inscreveram no site da Endeavor ou foram indicados ou prospectados pela instituição. Depois, são feitas duas etapas eliminatórias de entrevistas: primeiro com a equipe da Endeavor, depois com os seus mentores, que validam o modelo de negócios. Os aprovados nessas fases apresentam resultados da empresa, contratos e certidões negativas. O penúltimo degrau são as entrevistas com os membros do conselho da Endeavor. Por fim, os restantes vão ao painel internacional. O processo leva em média seis meses para ser concluído. Segundo Marcos Simões, membro do time de busca e seleção da Endeavor, de cerca de 500 inscritos no ano, por volta de cinco efetivamente se tornam parte da rede. O funil é apertado por um motivo: a instituição quer selecionar somente empreendedores de alto impacto, que tenham grande potencial de crescimento, criem emprego e renda e sejam inovadores. As empresas têm entre R$ 2 milhões e R$ 30 milhões de faturamento anual e o perfil dos empreendedores é bastante diverso: eles têm idades, formações e origem sócio-econômica variadas, para que possam ser exemplos a muitos outros. Mesmo quando não seleciona um empreendedor, a Endeavor dá a ele um retorno, com conselhos para melhorar a gestão da empresa. Alexandre Pi, 48 anos, CEO da APPI, empresa da área de tecnologia da informação, já havia tentado duas vezes fazer parte da rede da Endeavor. Em cada uma, recebeu um feedback com alguns pontos a melhorar na empresa – entre eles, que Pi, então mais ligado à criação dos produtos, participasse mais do dia a dia da gestão. “Demorei um ou dois meses para digerir as sugestões, mas depois comecei a segui-las”, diz o empreendedor, que está ansioso pelo apoio dos mentores. “Sou um técnico que virou empresário, e a Endeavor pode me ajudar a aprimorar a gestão. Sempre adorei conversar com pessoas mais experientes”, afirma. Segundo Pi, as perguntas feitas durante o processo seletivo abordaram temas como o modelo de negócio, a governança corporativa, o impacto da empresa no mercado e a história de vida dos sócios. “O processo de seleção foi duro”, diz Rafael Liporace, 29 anos, sócio da Biruta, empresa de criação, desenvolvimento e produção de mídias e ações diferenciadas. Foram mais de 15 reuniões, em que os entrevistadores investigavam as histórias dos empreendedores e da empresa. “Mas, depois da porrada, vinha uma orientação”, afirma Liporace. Ricardo Nantes, 32 anos, diretor-presidente da também selecionada Portal Educação, conta que foi entrevistado por grandes empresários do seu ramo de atuação – educação a distância. “Nas entrevistas, me perguntaram se já recebi suborno e quando havia mentido”, diz. A primeira dúvida que o empresário espera resolver com os mentores da Endeavor é onde fazer publicidade da sua empresa, que disponibiliza mais de 500 cursos on-line e tem faturamento projetado em R$ 18 milhões para este ano. Fonte: Revista Pequenas Empresas e Grandes Negócios |